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Ato Transfusional


Imagem de um equipo transfundindo sangue.

Nossos alunos sempre levantam algumas dúvidas sobre o Ato Transfusional, as dúvidas mais frequentes são: não transfunde com febre? Por que não pode infundir o hemocomponente no mesmo acesso que o antibiótico? O equipo que vem com a bolsa de sangue é muito ruim, posso trocá-lo?


O ato transfusional é o último momento para se reconhecer algum erro no preparo do hemocomponente, por isso todas etapas devem ser seguidas com muita atenção e em caso de alguma discrepância ou dúvida nas informações, NÃO TRANSFUNDA!


A transfusão de sangue pode acontecer em ambiente hospitalar, ambulatorial e em alguns raros casos, em ambiente domiciliar. Esse ambiente deve possuir estrutura adequada para atender todas as intercorrências relacionadas à infusão de hemocomponentes. A equipe necessária para transfundir é composta por: enfermeira de nível superior para instalar o hemocomponente e de um médico para atender possíveis intercorrências. O transfusionista de nível médio também pode fazer parte da equipe, para monitorizando a transfusão.


Quando a enfermeira receber o hemocomponente da agência transfusional é importante que seja feita a inspeção visual e avaliar se o produto está adequado, mantendo-o acondicionado em temperatura adequada para o produto. Verificar se na prescrição do hemocomponente há pré- medicação, qual o tempo de transfusão e se há alguma orientação especial. Checar se o paciente consentiu a transfusão, ou seja, se o termo de consentimento livre e esclarecido foi assinado. Deve também realizar a identificação positiva do receptor (pacientes ambulatoriais, lúcidos e sem efeito de medicação: pergunta-se o nome completo e outro identificador para confirmação da identificação).


Pacientes internados, não lúcidos ou sob efeitos de drogas a confirmação da identificação do paciente deve ter o auxílio de pulseiras identificadoras, se possível realizando dupla conferência a beira do leito, na presença de outro profissional da equipe de enfermagem ou médico. A confirmação do receptor de possuir informação de dois identificadores concordantes: o nome completo do paciente e outro identificador (exemplo: data de nascimento) comparar com o nome do receptor registrado no cartão transfusional e prescrição da transfusão.


Viabilizar acesso venoso para o procedimento hemoterápico. É necessário acesso venoso exclusivo para transfusão, nenhum medicamento poderá ser adicionado à bolsa do componente sanguíneo ou infundido na mesma linha venosa, exceto a solução de cloreto de sódio a 0,9%, para evitar hemólise ou aglutinações inesperadas. É obrigatório o uso de equipo com malha de 170 a 260 micro, estéril, epirogênico, descartável e de uso único, para todos os hemocomponentes. Pois os hemocomponentes podem possuir microtrombos ou grumos que podem escoar por equipos não específicos e levar a algum evento trombo-embólico no receptor.


Tudo pronto para transfusão? Então é o momento de avaliar os dados vitais: temperatura axilar, pressão arterial e saturação de oxigênio. Se paciente estiver febril pode transfundir, apesar de não recomendável, pois pode mascarar uma reação transfusional que se manifesta com febre. Se hipertenso, controlar a pressão para evitar sintomas e complicações de um aumento pressórica com a infusão do hemocomponente. A saturação arterial abaixo de 94%, nos acende um alerta sobre risco de sobrecarga volêmica, mas não há uma medida clínica a ser tomada. Preencher os campos do cartão transfusional: responsável pela infusão, data e hora considerando o horário de Início da Transfusão. Manter o Cartão Transfusional junto à bolsa do hemocomponente até o final da transfusão.


Os primeiros 10 minutos da infusão de qualquer hemocomponente, em especial as hemácias, são muito importantes, pois reação hemolítica aguda por anticorpos ABO é de manifestação clínica imediata e grave, que em geral se manifesta em até 10 minutos, neste período a infusão deve ser lenta. Observar atentamente o paciente durante esse período permanecendo ao seu lado o tempo todo, pelo transfusionista e/ou enfermeiro de nível superior. Após 10 minutos, pode–se recalcular o gotejamento para o tempo de infusão prescrito pelo médico, não podendo ultrapassar 4 horas. Seguir monitorizando o paciente durante todo o período, aferindo dados vitais de tempos em tempos (a depender do tempo de transfusão prescrito) e ao fim da transfusão com objetivo de detectar algum evento adverso.


A transfusão deve ser interrompida a qualquer alteração clínica ou queixa do paciente ou alteração dos dados clínicos, manter o acesso venoso com solução fisiológica 0,9% e comunicar imediatamente o médico.


Se identificado uma reação transfusional imediata, atender o paciente conforme orientação/prescrição médica e comunicar a agência transfusional o ocorrido. Em seguida, notificar a reação oficialmente utilizando a ficha de notificação e investigação de eventos adversos transfusionais e registrar todas as condutas no prontuário.


Se o ato sem intercorrências, mais de 90% das vezes, o paciente deve ser informado que em até 24 horas do fim da transfusão é possível ter alguma reação, que caso senta algo deve ser comunicado à equipe. No caso de transfusões ambulatoriais, os pacientes devem permanecer sob observação por uma hora antes de serem liberados e devem ser orientados a informar, ao serviço onde realizaram a transfusão, ao aparecimento de sinais e sintomas sugestivos de reação transfusional como febre, palidez, icterícia (pele e branco do olho amarelado) e coloração anormal da urina. Orientações escritas de forma simples e clara sobre esse assunto devem ser fornecidas aos pacientes, nelas devem constar inclusive o número de telefone, horário e pessoas de contato para que eles possam informar essas ou outras ocorrências.


Apesar do blog com muitas informações não aprofundamos em vários pontos importantes, no ato transfusional. Se continuou com dúvidas nos mande um e-mail ou nos acione nas redes sociais


Até a próxima


Equipe Erytro.


Bibliografia consultada:


1. Portaria de Consolidação nº 5 – Ministério da Saúde de 28 de setembro de 2017, que trata da consolidação das normas sobre as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde. Título II: do Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos.(Origem: PRT MS/GM 158/2016, TÍTULO II, CAPÍTULO I, Seção X)


2. Padrôes de banco de sangue e serviço de transfusão, 4 edição, AABB.


3. Robinson, S. The administration of blood components: a British Society for Haematology Guideline Transfusion Medicine, 2018, 28, 3–21.


4. RESOLUÇÃO COFEN Nº 629/2020. Aprova e Atualiza a Norma Técnica que dispõe sobre a Atuação de Enfermeiro e de Técnico de Enfermagem em Hemoterapia.



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