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Genética associada a transfusão de sangue



Os avanços da genética modificaram completamente o mundo atual. Na medicina transfusional, esses avanços agregaram segurança à transfusão de sangue, sendo importantes na determinação correta dos fenótipos, tanto na imuno-hematologia do receptor quanto do doador, além da identificação precoce dos vírus transmissíveis pela transfusão.

As membranas das hemácias expressam muitos antígenos, que são proteínas ou glicoproteínas, as quais desempenham várias funções 1 . Na imuno-hematologia é essencial a determinação inequívoca das características desses antígenos, ou seja, do fenótipo das hemácias, para prevenção de criação de anticorpos, reações hemolíticas e doenças hemolíticas perinatais. Em geral, os bancos de sangue e os serviços de transfusão utilizam a hemaglutinação como técnica padrão para identificação dos fenótipos eritrocitários, sendo necessários anticorpos monoclonais, que possuem algumas limitações. A genotipagem eritrocitária (determinação do fenótipo através do sequenciamento genético) é muito útil em algumas situações na imuno-hematologia e agregou na resolução de problemas clínicos.

Paciente com transfusão recente de hemácias inviabiliza a identificação correta dos antígenos eritrocitários pela metodologia de hemoaglutinação, uma vez que gera uma aglutinação não esperada que interfere na interpretação do teste. Para resolução desse problema, o DNA é extraído dos leucócitos do receptor que, não sofre interferência de transfusão prévia, e determina-se o fenótipo do paciente pelo sequenciaménto genético.

Na Anemia Hemolítica, por exemplo, os anticorpos estão fortemente aderidos às hemácias, e a técnica de hemaglutinação não consegue fornecer o resultado desejado, seja porque ocorre uma pan-aglutinação causada por esses anticorpos aderidos, seja pela tentativa de uma remoção química/física dos anticorpos da membra das hemácias, inviabilizando a realização do teste sorológico. A genotipagem do antígenos eritrocitários podem ser determinante para a o atendimento hemoterápico desses pacientes 2,4 .

Na doença hemolítica do recém-nascido o anticorpo mais relacionado a é o anti-D, por sua característica imunogênica e a frequência na população. A imunização ocorre quando as células fetais, portadoras de antígenos herdados do pai, entram na circulação da mãe após hemorragia fetal-materna. A mãe, por não expressar o mesmo antígeno, pode produzir anticorpos IgG em direção ao antígeno fetal e esses anticorpos podem passar pela placenta causando uma diversidade de sintomas, que vão desde anemia leve até a morte do feto. Além de anticorpos para o antígeno do grupo sanguíneo RhD, há outras especificidades dentro do sistema Rh e vários outros antígenos do grupo sanguíneo podem dar origem à doença. A identificação precoce do RhD do feto é importante, seja no período gestacional em células amnióticas, amostras de vilosidade coriônicos ou até mesmo plasma materno (método não invasivo) 2 . O grupo sanguíneo do recém-nascido deve ser realizado rotineiramente com anticorpos monoclonais poli específicos para identificação de todas as variações de RhD. Se houver discrepâncias dos resultados esperados, deve-se realizar genotipagem do recém-nascido.

A genotipagem dos grupos sanguíneos pode ser usada na identificação do grupo sanguíneo em doadores, mas, em larga escala. Há plataformas autorizadas nos Estados Unidos para um sistema que, atualmente, prevê o fenótipo para antígenos nos sistemas RHCE, KEL, FY, DO, LW, CO, SC, LU, DI, JK e MNS. Os polimorfismos mais comumente encontrados são causados por alterações de par de base única, que podem ser detectadas por uma variedade de métodos de teste. No entanto, polimorfismos mais complicados existem, como o ABO e Rh, e esses devem ser utilizados apenas nas discrepâncias 3 . No Brasil, o sequenciamento genético do grupo sanguíneo em doadores é realizado em poucos locais, sendo direcionado para identificar fenótipos negativos de alta frequência para aumentar o estoque de sangue de doadores raros 4 .

Não podemos esquecer que a genética agregou segurança transfusional ao introduzir O Teste de Amplificação de Ácidos nucléicos (NAT) em 2013, no Brasil, que é uma tecnologia desenvolvida para a detecção do ácido nucléico do Vírus da Imunodeficiência Humana – HIV e do Vírus da Hepatite C – HCV, inicialmente, e, posteriormente, o Vírus da Hepatite B -HBV em componentes do sangue destinado a transfusão. Esses testes foram desenvolvidos com o propósito de identificar os ácidos ribonucleicos (RNA) desses vírus, encurtando a janela imunológica – período compreendido entre o contato com o patógeno e a produção de anticorpos em níveis detectáveis pelos testes sorológicos atuais.


Equipe erytro.


Bibliografia consultada:

1. Telen, M. The Use of Genotyping in Transfusion Medicine, The Hematologist, 2014. 2. Castilho,L Pellegrino , J. Genotipagem de grupos sanguíneos Rev. bras. hematol. hemoter. 2004;26(2):135-140 3. Jackups, R. Impact of Genotyping on Selection of Red Blood Cell Donors for Transfusion, Hematol Oncol Clin N Am 33 (2019) 813–823. 4. Castilho,L Pellegrino , J.Reide, ME. Fundamentos da Imuno-hematologia. Ed. Atheneu, 2015. 5. PORTARIA Nº 25, DE 12 DE JUNHO DE 2013, Decisão de incorporar o procedimento para possibilitar a testagem de amostra de sangue de doadores pelo teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAT) para detecção dos vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da hepatite C (HCV) no âmbito do Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Hemoderivados no Sistema Único de Saúde – SUS 6. PORTARIA DE CONSOLIDAÇÃO N˚ 5 DA SAÚDE DE 28/09/2017. Ministério da saúde- Anexo IV.

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