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Imunogenicidade: Princípios da reação antígeno-anticorpo



O blog de hoje possui a intensão de introduzir os princípios da imuno-hematologia, ou seja, das reações antígeno-anticorpos. A imunogenicidade é a capacidade de uma substância estranha (antígeno) provocar uma resposta imune humoral (criação de anticorpos) no corpo. Na grande maioria das situações é uma ocorrência desejada, como nos caso de exposição à vacina, alergênicos e patógenos, mas também ocorre situações indesejáveis como a criação de anticorpos eritrocitários quanto expostos a transfusão e/ou gravidez.


Os antígenos eritrocitários são herdados geneticamente e se apresentam com epítopos localizados na membrana dos eritrócitos. Esses antígenos podem ser proteínas (como substâncias dos grupos sanguíneos Rh e MN) ou glicolipídeos (como substâncias dos grupos sanguíneos ABO, H, Lewis, Ii e P). Esses são clinicamente significantes na medicina transfusional e obstetrícia. Alguns antígenos são altamente imunogênicos e podem causar reações transfusionais, doença hemolítica do feto e recém-nascido.


Na imuno-hematologia as imunoglobulinas IgM, IgG e raramente a IgA estão envolvidas na produção de anticorpos eritrocitários. Os anticorpos considerados de ocorrência natural, são encontrados no soro/plasma de indivíduos que nunca foram expostos a antígenos de eritrocitários, seja por transfusão, gestação ou transplante. Esses anticorpos são imunoglobulinas da classe IgM, reagem melhor à temperatura ambiente ou abaixo dela, não atravessam a barreira placentária, mas são capazes de ativar o sistema complemento, e quando ativas à 37ºC podem ser hemolíticas. Exemplo: ABO, anticorpos de ocorrência natural, esperada: anti-A e anti-B.


Os anticorpos considerados irregulares são aqueles encontrados no soro/plasma de indivíduos que não esperamos encontrar, a grande maioria dos casos são produzidos por exposição antígenos de eritrocitários, mas pode ser de ocorrência natural também, como por exemplo: anti-H, anti-Lewis, anti-M e anti-P.


Os anticorpos da classe IgG, reagem melhor a 37ºC, necessitam de um potencializador para a sua detecção in vitro e são capazes de atravessar a barreira placentária. Podem ativar complemento e ligar ao macrófago causando hemólise extravascular. Os anticorpos irregulares podem ocorrer contra qualquer epítopo dos 369 antígenos, dos 43 sistemas de grupos sanguíneos.


Por uma hiper-reatividade patológica do sistema imune, estimuladas por doença autoimune, neoplasias ou até mesmo idiopática, há uma produção de imunoglobulinas IgG e/ou IgM e/ou frações de complemento (raramente IgA) que se ligam as hemácias com potencial hemolítico, são chamadas anemias hemolíticas autoimunes. Esse indivíduo, ao se expor a transfusão pode criar aloanticorpos, dificultado ainda mais a condução do paciente, se fazendo necessário uso de imunossupressor para reduzir a produção de anticorpos.


Resumindo, tanto na imuno-hematologia quando no sistema de defesa do nosso corpo ocorre reações antígeno-anticorpos. Na hemoterapia, essa reação nos ajuda a conduzir uma medicina transfusional segura, para isso realizamos testes para identificação de antígenos: grupos sanguíneos, utilizando anticorpos monoclonais, sendo possível selecionar hemocomponentes do mesmo grupo ou compatível. E na identificação anticorpos: para confirmação do grupo ABO, para identificar anticorpos irregulares no plasma/soro do receptor ou aderidos nas superfícies das hemácias, permitindo seleção de hemocomponente fenótipo específico e evitando reações hemolíticas.


Bibliografia consultada:

1. Bordin, J.O, COVAs,D.T, Tratado de Hemoterapia Fundamentos e Prática. Atheneu. 2018.

2. Flegel, W. A. (2015). Pathogenesis and mechanisms of antibody-mediated hemolysis. Transfusion, 55(S2), S47–S58. doi:10.1111/trf.13147.

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