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Imunologia das plaquetas


Ao digitar os termos “platelet immunology” no site da PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov) obtivemos como retorno uma série de artigos sobre temas diversos, que incluem o papel das plaquetas na trombose, na inflamação, na infecção (com destaque especial para a sepsis), na resposta imune inata e adaptativa, em doenças como as cardíacas, autoimunes, câncer, dentre outros. Do ponto de vista hemoterápico, ou seja, de suporte transfusional dos pacientes com plaquetopenia ou plaquetopatia, esse tema nos remete especialmente aos antígenos plaquetários humanos (HPA, do inglês, Human Platelet Alloantigen).


As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos do megacariócito maduro. São produzidas na medula óssea e liberadas para a circulação sanguínea.2 Possuem forma discoide, são anucleadas e parte essencial da primeira fase da hemostasia também conhecida como hemostasia primária.3 São estruturas altamente especializadas em reconhecer alterações na integridade do endotélio ou a matriz fibrosa subjacente que é exposta por ocasião da lesão vascular.3 Na membrana plaquetária, constituída por glicolipídios, é que se encontram os receptores celulares das plaquetas, complexos de glicoproteínas (GP), com domínios extracelular, transmembrana e citoplasmáticos. São esses receptores que recebem e decodificam as informações fornecidas pelo meio ambiente em que a plaqueta se encontra e que resulta em sua ativação, processo fundamental para que as plaquetas sejam capazes de exercer a sua função.3 As principais glicoproteínas da membrana plaquetária são a GP Ia/IIa que se liga ao colágeno; a GP Ib-IX, que se liga ao Fator de von Willebrand (FvW) e a GP IIb/IIIa que se liga ao fibrinogênio, à vitronectina, à fibronectina e ao FvW.4 Quando ativadas, as plaquetas alteram a sua forma e liberam o conteúdo de seus grânulos citoplasmáticos. Entretanto, alterações genéticas hereditárias ou adquiridas da função dos receptores celulares, do conteúdo dos grânulos ou do número de plaquetas, resulta em doenças hemorrágicas caracterizadas por sangramentos cutaneomucosos ou hemorragias em estruturas anatômicas vitais.3


As plaquetas possuem em sua membrana diversos antígenos, sendo que os principais correspondem aos sistemas ABO, de antígenos leucocitários humanos – HLA (do inglês, Human Leucocyte Antigen) de classe I e ao HPA.4 Os antígenos do sistema HPA estão relacionados com as principais glicoproteínas da membrana plaquetária e decorrem da substituição de nucleotídeos nos genes que as codificam. Essa substituição de aminoácidos acarreta mudança na estrutura das glicoproteínas, sem perda de função, formando antígenos que podem induzir a produção de aloanticorpos em pacientes previamente expostos, como as mulheres que já estiveram grávidas ou pessoas que já foram transfundidas ou transplantadas.4


Atualmente existem 35 antígenos plaquetários descritos que são expressos em seis diferentes glicoproteínas.4 A lista atualizada dos HPA pode ser visualizada na base de dados (https://www.versiti.org/hpa-gene). A nomenclatura dos sistemas HPA é definida pela Sociedade internacional de Transfusão Sanguinea.5 A aloimunização plaquetária pode resultar em três manifestações clínicas principais, que cursam com plaquetopenia e manifestações hemorrágicas: a) púrpura trombocitopência aloimune fetal/neonatal, b) púrpura pós transfusional, c) refratariedade à transfusão de plaquetas.5

Até a próxima!

Equipe erytro.

Bibliografia consultada:

1 Peterson J.A; McFarland J.G., Curtis B.R, Aster R.H. Neonatal alloimmune thrombocytopenia: pathogenesis, diagnosis and management. British Journal of Haematology, Volume: 161, Issue: 1, Pages: 3-14, First published: 06 February 2013, DOI: (10.1111/bjh.12235).

2 Santana B.A.A., Rego E.M. Hematopoese: cinética de hemácias neutrófilos e plaquetas. In: Bordin, J.O., Langhi Jr. D.M., Covas, D.T. Tratado de Hemoterapia: Fundamentos e prática. São Paulo: Atheneu; 1ª ed. 2019. P3-11.

3 Costa-Lima C., Ozelo M.C. Fisiologia da coagulação do sangue. In: Bordin, J.O., Langhi Jr. D.M., Covas, D.T. Tratado de Hemoterapia: Fundamentos e prática. São Paulo: Atheneu; 1ª ed. 2019. P46-61

4 Bub, Carolina Bonet. Estudo clínico-laboratorial de pacientes hematológicos com refratariedade plaquetária – avaliação de crossmatch virtual pela ferramenta EPVIX para seleção de doadores HLA compatíveis. Tese (Doutorado em Ciências, Área de Concentração Clínica Médica) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas – Campinas. 99 f. 2017

5 Castro V. Aloantígenos plaquetários humanos. In: Bordin, J.O., Langhi Jr. D.M., Covas, D.T. Tratado de Hemoterapia: Fundamentos e prática. São Paulo: Atheneu; 1ª ed. 2019. P225-226

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